Mary And Max: Mais uma Injustiça do Oscar

Postado em Uncategorized em 05/03/2010 por Rodrigo Andolfato

Para mim, o filme que mais me causou tristeza por não estar na lista dos indicados ao Oscar foi a produção “Mary And Max”. Animação em stop motion que deveria não apenas estar na lista dos indicados a melhor filme de animação, mas também levar o prémio desta categoria.

Mary and Max conta a belíssima amizade entre uma curiosa menina de oito anos e um homem de quarenta e poucos depois que Mary, da Austrália, envia uma carta para Max, que vive em Nova York, perguntando como os bebês são feitos na América. Max é solitário, obeso e sofre de Síndrome de Asperger. A carta chega a sua casa após Mary tirar seu nome aleatoriamente de uma lista telefônica, e a chegada daquela estranha correspondência pertubará a rotina de Max e criará um forte laço entre estes dois personagens tão diferentes.

Mary e Max é um filme triste, quase melancólico, mas que ainda assim consegue ter o seu lado otimista. É uma animação feita para adultos mas que, por ignorância de muita gente, provavelmente vai ser colocada na seção de filmes infantis nas prateleiras das locadoras brasileiras (até South Park eu já vi por lá!). É com certeza um dos melhores filmes de 2009 e mostra como o Oscar há muito tempo deixou de ser uma boa referência na hora de escolher os melhores filmes para assistir!

Meus Filmes Preferidos: Arizona Nunca Mais

Postado em Meus Filmes Preferidos em 03/03/2010 por Rodrigo Andolfato

Arizona Nunca Mais (Raising Arizona – EUA/1987) é um dos filmes mais doidos que já assisti. Nele um ladrão fracassado chamado Hi, interpretado por Nicolas Cage, então com apenas 23 anos de idade, vai tantas vezes pra cadeia que se casa justo com a policial que o fotografa, já que aproveita cada vez que volta para o xadrez para dar uma cantada na garota.

Os dois se casam e ficam loucos para terem filhos, mas ela é estéril e a ficha policial quilométrica de Hi impedem que consigam adotar uma criança.

O Casal tá na maior deprê quando surge a noticia de que um bacana local teve cinco filhos de uma vez. Então o ladrão e a ex-policial decidem, como bons marxistas, que é muito injusto uns terem tantos e outros não terem nenhum e vão a casa do bacana para roubar um dos garotos para eles.

Depois do sequestro tudo vira uma confusão muito louca. Surgem dois ladrões colegas de Hi que querem se aproveitar da situação e também um mercenário maluco numa moto disposto a dar a Hi o que ele merece, por ter tirado o filho dos bacanas.

A grande estrela e alma do filme é Hi. Ele é um dos personagens mais engraçados da história do cinema. Um ladrão tão atrapalhado que até para roubar uma pacote de fraldas se envolve nas mais absurdas confusões, todas orquestradas pela alucinante direção dos Irmãos Coen.

É um filme maluco e você tem que ser um pouco maluco pra poder realmente gostar. Se você não gostar, é por que é uma pessoa perfeitamente normal (e um chato também).

Carta de Um Filho a seus Pais na Terra – Um Conto de Ficção Científica

Postado em Meus Escritos em 28/02/2010 por Rodrigo Andolfato

Queridos pais,

Como estão as coisas? Estou com muitas saudades. Diga a Ana que espero vê-la em breve.

Vou contar como estão as coisas por aqui. E tenho que dizer. Não estão nada fáceis.

Eu cheguei bem a Elfo 2 e o planeta é mais bonito do que pensava. O ar, apesar da baixa densidade, é bastante agradável, e a gravidade menor foi vista como algo bastante confortante quando saí da nave. Infelizmente, naquele mesmo momento percebi um problema para o qual não estava preparado.

Assim que olhei para fora da nave pela primeira vez, fui supreendido por uma característica singular dos habitantes de Elfo 2: Todos eles possuíam asas. Isso mesmo. O agente do intercâmbio esqueceu de nos avisar que a população da planeta tinha essa característica. Apesar de serem quase iguais aos seres humanos, as pessoas de Elfo 2 possuem enormes e belas asas presas às suas costas, que os tornam capazes de voar com uma habilidade e velocidade que faria inveja até mesmo a um Beija-Flor aí na Terra.

Este diferença dos habitantes de Elfo 2 em relação aos terráqueos logo mostrou como seria um grande problema para mim. Justo eu, que na Terra era celebrado por ser o jovem de melhor vigor físico da escola, campeão de natação estadual por três vezes e capitão do time de Vôlei. Justo eu, que era invejado por todos os rapazes e desejado por todas as meninas, agora me via aqui como um deficiente físico, algo com que nunca passou pela minha cabeça.

Não há estradas em Elfo 2, até por que também não há veículos. Os habitantes são capazes de voar a quatrocentos quilômetros por hora e por isso nunca se preocuparam em construir meios de transporte para pessoas, até por que, segundo eles, voar mais rápido do que está velocidade, envolto numa máquina de metal, não compensaria o investimento e o aumento do perigo.

O pior é que não somente não há estradas, como também não há calçadas, mais ainda, quase não há nem sequer corredores. quase todas as entradas das casas, dos edifícios residenciais e das indústrias, todas ficam para o lado de cima, inacessíveis a alguém preso ao chão.

Lembro que logo que cheguei, as pessoas que me receberam ficaram assustadas de perceberem que eu não tinha asas e ficaram bastante incomodadas de terem que me carregar até a hospedagem onde ficaria. Disseram que nunca tinha visto nada tão pesado quanto eu e reclamavam o tempo todo do erro que o agente de intercâmbio havia cometido ao me enviar para aquele planeta.

Lembro que quando cheguei ao primeiro dia de aula, carregado por quatro colegas que eu nem conhecia direito, fui alvo dos olhares de todos os alunos do colégio, lembro de ter escutado alguns murmurarem, na lingua oficial da galáxia, algo como: coitadinho. Até um “nossa, que aberração” eu escutei.

E assim tem sido minha vida aqui. Para todo lado desconhecidos tem que me carregar, para todo lado os outros me olham assustados e com pena. Não demorou muito para começar a surgirem gozações também, principalmente quando me interessei por uma menina da escola. Alguns rapazes que me viram flertando com ela fizeram questão de inventar um apelido para me ridicularizar em frente a ela. Percebi que assim que ela escutou este apelido, perdeu o interesse por mim.

Alguém mais generoso arranjou um pequeno aparelho capaz de me fazer sair do chão, mas ele é muito pesado, desengonçado, solta uma fumaça preta suja e não consegue voar por muito tempo. Com ele eu fico muito limitado e a qualquer momento tenho que pousar em algum lugar e esperar que alguém venha me socorrer. Vocês sabem como eu era orgulhoso. Sabem como ter que pedir ajuda o tempo todo deve ser difícil para mim.

Queridos pais, imploro a vocês que, assim que puderem, me mandem o dinheiro para que eu possa voltar a Terra. Tem sido humilhante ficar aqui. Não fiz um amigo, todos me consideram um estorvo.Às vezes passo a noite chorando. Tenho muitas saudades da natação, tenho saudades do time de vôlei. Quero voltar a ter orgulho do que eu sou!

Um grande Abraço

Seu Filho Querido

FUNDAÇÃO – A Obra-prima de Isaac Asimov

Postado em Meus Livros Preferidos em 28/02/2010 por Rodrigo Andolfato

A mais celebrada série de ficção científica de todos os tempos demora um pouco para engrenar, mas quando acontece, se torna um dos livros mais irresistíveis que já li.

Estamos num futuro muito, muito distante. Tão distante que a humanidade agora ocupa toda a Galáxia e nem se lembra mais qual era o seu planeta de origem. Parece absurdo, mas do dia de hoje até a data em que é contada a saga tanta coisa aconteceu na galáxia, tantos regimes e sistemas surgiram e caíram, tantas vezes se procurou destruir a memória de governos passados, que até os registros do planeta onde a humanidade teria se erguido foram perdidos.

Agora vivemos num império, um único regime domina toda a Galáxia, unindo todos os seus planetas em torno de Trantor, onde fica o governo central, a casa do imperador. As coisas seguem razoavelmente tranquilas e parece que vão continuar assim por muito tempo. Mas há alguém que não acredita que a paz irá durar por muito tempo. Um cientista chamado Heri Seldon afirma que em trezentos anos o império ruirá e a Galáxia viverá um período de trinta mil anos de trevas e barbárie.

Para piorar, Hari Seldon não é qualquer um, é simplesmente o mais renomado psicólogo da Galáxia, justamente numa época em que os psicólogos se destacam justamente pela capacidade de prever o futuro. Com conhecimentos em psicologia, matemática e estatística, Hari Seldon é capaz de prever como será o comportamento coletivo da humanidade nos séculos que se seguirão (algo parecido com o que os economistas tentam fazer hoje).

Os argumentos de Hari Seldon são tão terrivelmente convincentes e seu nome é tão importante que o Império, para se ver livre da influência que Seldon poderia ter sobre a população, aceita entregar a ele verbas para que ocupe um pequeno planeta nos confins do Galáxia, Términus, onde, segundo Seldon, uma enciclópedia contendo todo o conhecimento do Universo seria escrita, preservando a sabedoria da civilização e proporcionando que o período de barbárie fosse reduzido a apenas mil anos.

O Império nem imagina que os planos de Seldon são outros. O planeta Términus na verdade seria o lugar onde floresceria uma nova comunidade, cuja missão seria substituir o próprio Império após a derrocada deste. Esta nova entidade seria chamada de Fundação.

Diferente do que estamos acostumados, em Fundação o protagonista não é um personagem, mas uma civilização, um povo que começa quase indefeso, num planeta hostil e infértil, mas que, com a habilidade de seus governantes e guiados pelos planos de Henri Seldon, busca a prosperidade e cumprir a missão prometida.

Fundação é a aventura desta civilização, de como eles iniciam da pequena colônia em Términus até o momento em que se transformam numa instituição capaz de dominar toda a galáxia. A trajetória deste povo não será nada fácil. Eles terão que enfrentar desafios terríveis, enfrentar inimigos muito mais poderosos, sofrer reveses inesperados e enfrentar até mesmo um semideus que surge desestabilizando todo o equilíbrio da galáxia.

A saga da Fundação é contada por Isaac Asimov em três livros: “Fundação”, “Fundação e Império” e “Segunda Fundação. Em 1966, na 24ª Convenção Mundial de Ficção Cientifica, em Cleveland, a serie foi premiada como a melhor serie de ficção cientifica de todos os tempos.

O primeiro livro “Fundação”, é fantástico, mas é considerado por muito dos leitores da série como o mais fraco deles. Nesta primeira parte, Asimov narra diversos acontecimentos desde a criação da colônia até o momentos em que ela expande seus domínios por outros sistemas solares através de conflitos com outros planetas.

É interessante observar que a maioria dos conflitos do primeiro livro não são resolvidos através de guerras, mas de duelos intelectuais, em que os lideres de dois lados em contenda se reúnem e cada um apresenta a seu adversário qual será a sua estratégia de guerra. Após cada lance deste jogo, cada ameaça ou blefe, um líder olha para o outro e diz: “E aí, o que você vai fazer agora?”. Esses duelos, verdadeiros jogos de poker decidindo o futuro da galáxia, são os melhores momentos de Fundação. Mas é claro, há momentos em que nenhum dos lados consegue se impor em relação a outro através da conversa e as coisas terminam sendo decididas na base da pancadaria mesmo.

A coisa segue assim até o meio do segundo livro e as constantes quebras de ritmo entre um conflito e outro podem cansar um pouco os leitores. Mas é justamento quando pensamos que o ritmo da história vai desabar que fundação deixa de ser um livro excelente para se tornar uma obra-prima. É o momento que surge o “Mulo”, um inimigo tão poderoso quanto humano. Capaz de fazer toda a Galáxia literalmente cair sobre sua vontade, o Mulo também é o personagem mais trágico do livro. Temos certeza de como a tragédia se abate sobre ele no momento em que ele afirma que preferiu não entrar na mente de uma personagem simplesmente por que percebeu que ela tinha sido a primeira pessoa a gostar dele de verdade. Esse contraste entre poder e fragilidade torna o Mulo disparado o melhor personagem de Fundação.

É a partir do segundo livro também que Fundação, até aquele momento bastante linear, começa a apresentar surpresas dignas das melhores reviravoltas do cinema, como visto em filmes como “O Sexto Sentido” ou “Um Sonho de Liberdade”. Só lendo para entender. Há uma cena, no princípio do terceiro livro, Segunda Fundação, em que um dos personagens desafia o Mulo mesmo sabendo da diferença de poderes entre eles. Este momento é com certeza o mais tenso e de maior suspense que já vi num livro.

Para quem gosta de ficção científica a leitura de Fundação é uma obrigação e também um privilégio.

Leia Também: Robôs do Amanhecer – De Isaac Asimov

Pesquisando Sobre Como Publicar Um Livro – Parte 1

Postado em MEU PROJETO em 26/02/2010 por Rodrigo Andolfato

Eu não tenho tido todo o tempo que queria para me dedicar aos blogs. O que é uma pena. Envolvido com a produção de dois livros e pesquisas sobre o mercado editorial brasileiro, mais uma dezena de responsabilidades sociais e profissionais, sobra-me muito pouco tempo para escrever aqui. Como eu disse no Twitter esses dias: quem dera o dia tivesse 48 horas. Me sobraria tempo para fazer a metade das coisas que gostaria.

Mas vou falar um pouco sobre minhas primeiras pesquisas do mercado editorial brasileiro.

Pelo que tenho visto, o Brasil tem cerca de 800 editoras, dos mais diversos tipos e tamanhos e existem duas formas de entrar em contado com elas:

A primeira é mandando o original diretamente para as editoras e rezar muito para que deem alguma atenção, para que o livro tenha identificação com o linha da editora, e, finalmente, para que ele seja tão bom como você acha que ele é. Essa forma depende muito de sorte e de mais uma série de fatores que tornam a empreitada uma verdadeira loteria.

O que os sites que li indicam é: procure editoras cujos livros publicados tenham muito em comum com o seu, seja original no envio das cópias, não se preocupe em apresentar um livro com impressão sofisticada, mas sim clara e tenha muita, muita paciência.

A segunda forma de entrar em contado com editoras seria através de um agente literário. Me parece algo muito semelhante a aquilo que estamos acostumados a chamar de “empresários” no mercado de entretenimento. Esses agentes literários, atráves do pagamento de uma taxa cujo valor ainda não sei direito quanto é, fazem a intermediação entre sua obra e a editora. Esses agentes nem sempre aceitam escritores desconhecidos como clientes e deve-se pesquisar muito sobre eles antes de contratar um.

Caso eu não queira entrar em contato com editoras, outra forma de publicar um livro, que me parece, tem sido cada dia mais usada, é arcar com as despesas da publicação, através de uma editora/gráfica. Aí eu vou ter garantida a publicação, por um investimento que ficará em torno de cinco e vinte mil reais, mas terei que fazer todo o esforço necessário para que a obra venda, tanto em marketing como em distribuição.

Acho que todas as ideias são válidas e merecem ser analisadas com carinho. No caso dos agentes literários, acho que deve ser interessante consultar alguém, ter o seu livro avaliado, antes de enviar a uma editora.

No caso de usar uma gráfica, o que tenho visto, e isso me preocupa, é que muita gente publica o livro, levado somente pelo sonho de ter uma obra publicada, mas sem ter um bom planejamento pós-publicação. Acho que deve-se tomar cuidado com isso. Publicar um livro por publicar não me parece uma coisa boa. Deve-se ter consciência de que será necessário um esforço físico e financeiro para que a obra tenha a chance de fazer algum sucesso. Acho que quem for pagar para publicar um livro deve pensar também em um bom investimento em marketing. Eu tenho algumas ideias sobre promoção de livro que podem ser legais.

Continua…

Me Desculpe Alcides!

Postado em Meus Escritos em 26/02/2010 por Rodrigo Andolfato

Quem é essa gente? Por que insiste em lutar em meio a tanto mal? Por que teima em fazer a coisa certa mesmo quando não parece haver mais valor algum na honestidade, e quando a esperteza e o arrivismo a tudo suplantaram?

Quem saõ estes? Que procuram fazer o justo mesmo quando não há lei, e mesmo que haja, não é seguida, nem por aqueles que tem como dever fazer com que ela seja cumprida?

Essa semana, um jovem, muito humilde, que conseguiu passar em primeiro lugar numa universidade pública, sustentado por seu talento e uma vontade e caráter incrível de sua mãe, foi morto de uma forma imbecil, por gente imbecil, por gente que sabe que num sistema imbecil como o que vivemos nada acontecerá com eles, mesmo que matem por diversão, mesmo que riam da cara da vítima enquanto atiram.

Eles riem de nós, de todos nós. Mas os assassinos se tornam as vítimas para ONGs que defendem os direitos humanos. “É só mais um menino que não foi atendido pelo Criança Esperança. doem mais dinheiro que isso deixará de acontecer”.

Eu me vejo perdido em meus pensamentos. O que posso fazer? O que posso fazer pelo coração da mãe que chora pelo filho tão querido perdido? E se fosse a minha mãe? E se fosse a sua?

essa família, que perdeu este menino, não precisava de dinheiro. Eles são fortes, são valentes. Eles conseguem as coisas sem precisar pedir ajuda dos outros. Eles são o que há de mais valioso nesse país. Tudo o que eles precisavam, tudo o que eles queriam, era apenas um lugar seguro para viver, onde pudessem correr atrás dos seus sonhos sem medo de morrerem na próxima esquina, por um covarde carregando uma arma.

Se pudéssemos dar isso a eles, gente como essa mãe, como esse menino, não pediriam ajuda jamais. Essas pessoas são as que fazem do Brasil um lugar melhor, são as pessoas que constroem uma nação de verdade, sem ajuda de políticos ou de esmola. E o que damos em troca?
Alcides do Nascimento Lins, me desculpe, me desculpe por este país. Me desculpe por sermos assim. Você merecia uma Brasil melhor.

O estudante Alcides do Nascimento Lins, de 22 anos, cursava biomedicina na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi morto a tiros na madrugada de sábado em frente à casa onde morava, em Recife. Aluno de escola pública, filho de uma vendedora ambulante, Alcides foi o primeiro colocado da rede pública no vestibular da Universidade Federal de Pernambuco em 2007. Sua vitória foi tema de uma matéria no Fantástico, numa reportagem que tinha a felicidade como tema. Alcides aparecia ao lado da mãe, Maria Luiza do Nascimento. E, perguntado sobre o assunto, dizia: “A felicidade é o objetivo alcançado a serviço da humanidade, a serviço do bem”.

DE OPERADOR DE COMPUTADOR A ANALISTA DO BANCO CENTRAL – A História de um Concurseiro – CAPÍTULO 2

Postado em MINHA VIDA em 26/02/2010 por Rodrigo Andolfato

O Breve alívio no Curso de Administração

Estávamos no ano de 1997, no mês de julho, quando passei no vestibular da Universidade Federal de Uberlândia pela segunda vez, aos 19 anos de idade. Eu não fui o primeiro nem o último a largar um curso de faculdade. Em cursos como Computação muitas turmas chegam ao último ano com cerca de metade dos alunos que se matricularam no primeiro semestre. Então, talvez não seja uma falha somente minha, não é?

Antes de me inscrever para Administração de Empresas no vestibular, cheguei a pensar em Geografia, matéria que sempre foi a minha preferida na escola, mas havia o receio de que este curso não me desse um retorno financeiro satisfatório. Eu não conseguia ver outro futuro em Geografia que não fosse o de professor. Administração me parecia um ponto exatamente no meio do caminho entre Computação e Geografia. Na verdade, hoje posso dizer que é o curso perfeito para quem não sabe o que quer fazer da vida.

E no primeiro semestre de Administração, me pareceu que a tragédia da computação não ia se repetir. Estudando no turno da noite e sem trabalhar, fui razoavelmente bem, tanto que um dos meus colegas de sala acabou até me contratando para ser estagiário em sua pequena empresa de seguros. Fiquei muito feliz com isso, pois seria meu primeiro emprego e naquela época eu já estava doido para começar a trabalhar. Mal sabia das consequências que o novo serviço viria a ter.

O combinado verbalmente pelo meu colega, agora meu chefe, foi que o expediente do estágio seria de meio período (que eu entendo como sendo quatro horas) e que a remuneração seria de dois salários mínimos, o que na hora de assinar o contrato de estágio virou seis horas de expediente e um salário mínimo e meio de remuneração. A situação na realidade acabou sendo ainda pior do que os termos do contrato. Era comum que eu saísse da empresa às sete horas da noite mesmo chegando às oito da manhã. Sair no horário combinado pelo contrato (duas horas da tarde) era sempre motivo de espanto por parte de meus colegas. Eu não devia, mas me importava com os olhares condenatórios e na prática acabei fazendo uma jornada de oito horas todos os dia.

Não vou dizer que foi um período horrível. Eu era até feliz naquela empresa, principalmente por que gostava dos colegas, mas nem preciso dizer que meu rendimento escolar começou a cair de novo e no segundo semestre do curso de Administração não escapei ileso, tomando minha primeira bomba naquele curso.

Fiquei nove meses naquele estágio, até que um dia cheguei de manhã, olhei para a pilha de serviço que tinha pra fazer, fiquei uns dez minutos olhando para o vazio, pensando na vida, até que me levantei, fui a meu colega de classe/chefe e disse que estava fora. Foi rápido e indolor.

Minha carreira de PM

Eu só voltaria a trabalhar um ano depois, no maior atacadista de Uberlândia. Antes disso faria meu primeiro concurso público, que considero um dos incidentes mais estranhos da minha trajetória profissional. Após ler o edital num jornal, inscrevi-me para o concurso da Polícia Militar, profissão que não tinha absolutamente nada a ver comigo. Tudo bem, confesso que até cheguei a tentar me convencer que conseguiria ser policial militar, afinal, o salário de quase mil reais era cerca de quatro vezes o que ganhava no estágio na empresa de seguros.

Como eu ainda tinha o Recall do vestibular para Ciência da Computação, feito dois anos antes, mesmo sem abrir um único livro, passei no concurso e até muito bem. A única diferença é que nos dois vestibulares que passei fui mal em redação, com textos cheio de ideias. Lembro que dessa vez, no dia da redação, prometi a mim mesmo que faria o texto mais vazio e inócuo que pudesse. O resultado foi que tirei uma das melhores notas em redação entre todos os candidatos (não estou bem lembrado, mas talvez tenha sido até a melhor).

Depois das provas, foram mais ou menos dois meses enrolando com exames de saúde e físicos, entre eles uma corrida de dois quilômetros, que foi um dos momentos mais dramáticos que já tive. Durante a corrida, quando meu baço ameaçou tentar suicídio eu literalmente pedi para que meu espírito fosse dar uma voltinha até que aquilo terminasse, para ser mais claro, tentava pensar em qualquer coisa que me fizesse esquecer da dor. Felizmente, todos, inclusive os quatro ou cinco que conseguiram o feito de chegar depois de mim, entre os trezentos candidatos, passaram no teste.

Mais uns dois meses depois, lá estava eu, no meio de uns 250 marmanjos, pronto para me tornar um policial militar. Eu, que costumava usar um tênis até vê-lo se despedaçando ,sem nunca lavá-lo, que cortava o cabelo somente quando as pessoas começavam a correr de mim na rua, que dizia para minha mãe que não arrumava a cama, pois iria desarrumá-la de novo à noite, que odiava com todas as forças acordar antes das nove da manhã, iria me tornar um milico.

Eu poderia até ter conseguido mudar meu jeito, mas quando um sargento disse que nós recrutas ficaríamos no quartel até às oito da noite, todos os dias, disse a ele que minha faculdade começava às sete e que teria que sair mais cedo. Ele então me respondeu dizendo que eu tinha que ter prioridades.

Não que eu estivesse muito bem na faculdade, mas como não estava trabalhando, também não me lembro de estar tão mal, mas foi o suficiente para pedir baixa exatamente no meu segundo dia de recruta. Pedi para ir embora do quartel no mesmo momento em que pedi a baixa. Era terça-feira e o sargento disse que se eu fosse embora seria preso. Teria que continuar no treinamento até sexta feira. Foi uma semana longa, mas sobrevivi. Na sexta, eu e mais uns quatro nerds que tiveram a mesma idéia fomos dispensados.

Trabalhando de Madrugada

Com o projeto Policia Militar fracassado, minha saída foi procurar emprego na iniciativa privada. No segundo semestre de 1999, eu estava fazendo algumas matérias do terceiro e do quarto período de Administração. Estava indo razoavelmente bem no curso. Mesmo passando as madrugadas acordado, não fazendo absolutamente nada que preste na frente de um computador, eu conseguia levar o curso com razoável decência. Mas em setembro daquele ano, após minha terceira entrevista para tentar entrar num grande atacadista de Uberlândia, fui contratado para a função de Operador de Computador (que eu chamava de Operador de Sistemas para parecer mais bonito). Iria ganhar 580 reais por mês (cerca de três salários mínimos da época) e mais 40% de adicional noturno para fazer exatamente a mesma coisa que fazia todos os dias de graça em casa, fuçar em computadores a madrugada toda.

De início eu realmente gostei da idéia de trabalhar de madrugada, e realmente não foi ruim. O problema foi o resto do meu dia. Quando não estava no atacadista, me tornava um semi-morto, e as bombas na faculdade vieram por atacado no final daquele semestre. No final do semestre seguinte vieram mais, e pior, bombas repetidas. Conclusão: acabei caindo num regime em que só poderia fazer duas matérias no próximo semestre.

Eu tinha então 22 anos e o clima estava começando a ficar meio pesado lá em casa. Meus pais, que tanto comemoraram minha aprovação no vestibular de Ciência da Computação, já não demonstravam mais tanta alegria com a minha pessoa. Quando caí no regime especial não tive coragem de contar para eles. Como só teria três dias de aula por semana, eles acabariam desconfiando. Então, na quarta-feira, dia que não havia horário da faculdade, eu pegava meus cadernos, colocava na mochila e ia pro cinema. Havia chegado a meu nível mais baixo como estudante.

Não pensem que estava feliz. Minha sensação é de que tudo estava dando errado. Meu relacionamento em casa não estava bom. Eu tinha vergonha da minha situação na faculdade e mal conseguia encarar meus colegas de curso. Não me lembro se foi nesse mesmo semestre ou no seguinte, mas acabei simplesmente parando de ir às aulas. Estava prestes a largar minha segunda faculdade e aceitando o fato de que somente fazendo geografia seria feliz. E se isso também não desse certo, desistiria para sempre do curso superior e aceitaria meu destino como operador de computador no atacadista.

Mas a vida dá voltas…

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Esse sou eu, na época que trabalhava no atacadista

O MEU PROJETO – Publicar um Livro

Postado em MEU PROJETO em 24/02/2010 por Rodrigo Andolfato

Depois de tanta coisa na minha vida, chega o momento em que devo voltar pensar naquele que sempre foi o meu maior sonho desde os doze anos de idade: públicar um livro.

Estes dias andei examinando tudo o que já escrevi e todas as ideias que tenho na cabeça e cheguei a seguinte conclusão: Escrevi pelo menos um bom livro e tenho também pelo menos uma boa ideia que merece ser escrita. Por isso devo investir meus esforços nestas duas obras.

O livro que está pronto tem pouco mais de 80 páginas, e foi feito quando eu tinha 20 anos de idade, ou seja, 12 anos atrás. Lembro que aproveitei para colocar as ideias no papel enquanto prestava para o concurso da Polícia Militar, que durou três meses e me consumiu pouco esforço ( e cujo curso de formação eu larguei após uma semana). Lembro que o escrevi em apenas duas semanas e, sem ter planejado nada antes de começar, consegui desenvolver uma excelente trama. Muitas pessoas já leram este pequeno livro e me incentivaram a tentar publicá-lo. Eu inclusive o registrei na Biblioteca Nacional. A história é voltada para um público de 10 a 14 anos e vou falar um pouco dela quando tiver mais tempo.

O livro que estou começando a escrever teve como fonte de inspiração alguns posts neste blog (nota: não é sobre concursos). Acabei desenvolvendo muito a ideia e decidi escrever um livro inteiro sobre ela. dez páginas foram escritas e estou bastante satisfeito com o resultado inicial. É só o começo, eu sei.

Para quem quiser acompanhar está minha jornada e este aprendizado, onde planejo estudar sobre como eu posso e quais são as opções públicar estes livros e como os trabalhos estão andando, continue acompanhando este Blog. Será um projeto longo. Quero fazer tudo com muita paciência e cautela, pois o final desta história, eu não conheço.

Abraços a todos

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