Me Desculpe Alcides!
Quem é essa gente? Por que insiste em lutar em meio a tanto mal? Por que teima em fazer a coisa certa mesmo quando não parece haver mais valor algum na honestidade, e quando a esperteza e o arrivismo a tudo suplantaram?
Quem saõ estes? Que procuram fazer o justo mesmo quando não há lei, e mesmo que haja, não é seguida, nem por aqueles que tem como dever fazer com que ela seja cumprida?
Essa semana, um jovem, muito humilde, que conseguiu passar em primeiro lugar numa universidade pública, sustentado por seu talento e uma vontade e caráter incrível de sua mãe, foi morto de uma forma imbecil, por gente imbecil, por gente que sabe que num sistema imbecil como o que vivemos nada acontecerá com eles, mesmo que matem por diversão, mesmo que riam da cara da vítima enquanto atiram.
Eles riem de nós, de todos nós. Mas os assassinos se tornam as vítimas para ONGs que defendem os direitos humanos. “É só mais um menino que não foi atendido pelo Criança Esperança. doem mais dinheiro que isso deixará de acontecer”.
Eu me vejo perdido em meus pensamentos. O que posso fazer? O que posso fazer pelo coração da mãe que chora pelo filho tão querido perdido? E se fosse a minha mãe? E se fosse a sua?
essa família, que perdeu este menino, não precisava de dinheiro. Eles são fortes, são valentes. Eles conseguem as coisas sem precisar pedir ajuda dos outros. Eles são o que há de mais valioso nesse país. Tudo o que eles precisavam, tudo o que eles queriam, era apenas um lugar seguro para viver, onde pudessem correr atrás dos seus sonhos sem medo de morrerem na próxima esquina, por um covarde carregando uma arma.
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O estudante Alcides do Nascimento Lins, de 22 anos, cursava biomedicina na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi morto a tiros na madrugada de sábado em frente à casa onde morava, em Recife. Aluno de escola pública, filho de uma vendedora ambulante, Alcides foi o primeiro colocado da rede pública no vestibular da Universidade Federal de Pernambuco em 2007. Sua vitória foi tema de uma matéria no Fantástico, numa reportagem que tinha a felicidade como tema. Alcides aparecia ao lado da mãe, Maria Luiza do Nascimento. E, perguntado sobre o assunto, dizia: “A felicidade é o objetivo alcançado a serviço da humanidade, a serviço do bem”.
